Inovação

Os Nomes por Tras das Linhas: Espen Oino, Winch e De Basto

Três designers moldam o gosto do iatismo europeu. Conheça as filosofias, projetos e o peso que carregam na indústria.

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Equipe Voguer
8 min de leitura
Os Nomes por Tras das Linhas: Espen Oino, Winch e De Basto

Os designers de iates trabalham invisíveis ao olho do navegante casual. Nunca ganham prêmios de cinema, não vestem Prada nas premiações, e seus nomes aparecem em letras minúsculas em um rodapé de documentação. Mas quando você sobe em um superiate e sente que cada curva, cada espaço, cada janela faz sentido perfeito, você está dentro da mente de um desses visionários. Conheça os três nomes que definem como o mundo moderno imagina um barco.

Espen Øino: O Poeta das Curvas

Espen Øino é norueguês. Isto importa. A Noruega é fjordos, minimalismo, uma obsessão quase religiosa com a funcionalidade. Øino cresceu olhando para embarcações trabalhando em condições extremas, onde o desnecessário não sobrevive.

Seu primeiro grande trabalho foi o projeto de vários iates Benetti nos anos 1990. Desde então, tornou-se sinônimo de um estilo específico: linhas alongadas, proporções generosas, e uma recusa absoluta em colocar um detalhe decorativo onde poderia haver espaço ou funcionalidade. Um iate assinado por Espen Øino tem a elegância de um corpo atlético: cada músculo visível, nenhuma gordura.

Sua filosofia é que um iate bem-proporcionado não precisa de decoração agressiva. A forma é o ornamento. Um salão que flui visualmente de um espaço a outro; janelas posicionadas para enquadrar vistas específicas; uma proa que desenha a promessa de velocidade mesmo atracada.

Øino tornou-se um nome que clientes de mega-iates procuram ativamente. Quando um armador diz "quero um Øino", está falando de proporção, elegância, e uma recusa da frivolidade.

Winch Design: A Rigidez Britânica da Inovação

Winch Design é Londres. Fundada por Andrew Winch em 1988, a empresa tornou-se uma instituição. Aquela solidez britânica—o cuidado obsessivo com proporção, cor, material—é a assinatura da casa.

Winch não assina "grandes iates". Assinam iates de vários tamanhos, desde 40 metros até bem acima de 150. O que os diferencia é uma abordagem casi-científica ao interior. Antes de escolher uma cor, Winch estuda a luz do ambiente em diferentes horas do dia. Antes de escolher um painel de madeira, compara resistência à umidade, envelhecimento de tom, e facilidade de restauração.

Seus interiores são contemporâneos sem ser frios. Há sempre um equilíbrio entre minimalismo e convivialidade. Um sofá é seleccionado não só pela limpeza de linha, mas pela profundidade do assento, pela resiliência do enchimento. Detalhes práticos—uma gaveta bem amortecida, um interruptor de luz que responde de forma tátil—frequentemente são ignorados por outros designers mas revelam a obsessão de Winch com a experiência diária.

A empresa expandiu-se além de iates. Hotéis, residências, até projetos terrestres. Mas seu núcleo permanece: design que não envelhece porque resolve problemas humanos primeiro.

De Basto: A Clareza Portuguesa

De Basto é uma empresa portuguesa relativamente discreta no cenário internacional, mas domina um segmento muito específico: iates onde a luz natural é uma obsessão.

O fundador, Pedro De Basto, vem de uma tradição de arquitetura portuguesa que valoriza proporção, modulação espacial, e acima de tudo, a qualidade da luz entrando nos ambientes. Seus projetos são reconhecíveis à primeira vista: grandes aberturas, espaços que "respiram", uma paleta de cores que celebra a madeira clara e a pedra natural.

De Basto recusa projetos em sheds onde predomina iluminação artificial. Seus clientes são aqueles que querem passar tempo no convés, abaixo do céu, numa clareza de ambiência. Um iate De Basto é menos "navio interior" e mais "estação de observação do mar".

A empresa também inova em materiais. Têm sido pioneiros em usar acabamentos ecológicos, madeiras de reflorestamento certificado, e sistemas de iluminação que favorecem luz natural mesmo em condições mediocres. Seus interiores envelhecem bem porque respeitam o material; não disfarçam a realidade com acabamentos brilhosos.

Como Suas Filosofias Diferem

Espen Øino acredita que a forma resolve tudo. Um iate bem-desenhado é tão lindo atracado quanto em movimento. Não precisa de cenário; é cenário.

Winch acredita que o detalhe invisível cria a experiência. O conforto é a beleza. Estude cada centímetro; respeite cada transição entre materiais; reconheça que quem vive no espaço importa mais que quem o fotografa.

De Basto acredita que a luz é o material principal. Tudo o mais serve a luz. Cor, madeira, espaço—tudo é um ajuste para otimizar como a clareza entra e se distribui.

Por Que Importam Agora

Em 2026, a indústria de superyates procura designers que entendam sustentabilidade sem sacrificar elegância. Øino trabalha com estaleiros em pesquisa de casco otimizado (formas que reduzem resistência e consumo de combustível). Winch integra sistemas inteligentes invisíveis. De Basto pioneira em materiais recicláveis que mantêm estética.

Nenhum dos três é "futurista" no sentido de ficção científica. Todos são fundamentalistas de função. Função bem resolvida é sempre elegância.

FAQ

Qual é a diferença entre um Espen Øino e um Winch Design? Espen Øino enfatiza o exterior: proporções do casco, linhas de convés, a forma como o iate se move visualmente. Winch se dedica ao interior: como você vive lá dentro, cada detalhe que afeta sua experiência diária. Você escolhe Øino se quer que as pessoas digam "que lindo iate"; escolhe Winch se quer viver feliz nele.

Quanto custa contratar um desses designers? Não há tabela fixa. Uma encomenda começa entre 1 e 3 milhões de euros para iates de 50m, escala até 8-12 milhões para mega-iates. O custo depende da fase do projeto (conceitual vs. completo), tamanho, e se o designer trabalha em colaboração com outro estúdio de interior.

Posso contratar De Basto para um iate que será usado principalmente em Mônaco? Tecnicamente sim, mas não é ideal. De Basto otimiza para luz natural abundante e interiores abertos. Em Mônaco, onde as marinas são sombreadas por edifícios, seu design pode parecer sub-aproveitado. Para Porto Hercule, um designer que domine iluminação artificial (como Winch) pode ser melhor.

Estes designers também assinam iates pequenos (abaixo de 40m)? Raramente. Abaixo de 40 metros, seus honorários se tornam uma fração importante do orçamento total. A maioria dos iates médios trabalha com arquitetos navais internos do estaleiro ou com designers locais especializados em menor escala.

Qual designer é mais sustentável? Todos três estão se movendo nessa direção. De Basto é talvez o mais avançado em materiais verdes e eficiência energética porque sua filosofia já alinha com o respeito aos recursos naturais. Mas Øino e Winch agora também incorporam sustentabilidade em novo trabalho.

Como escolher entre os três se eu estou encomendando um iate? Veja portfólios de iates que você admira. Se se sente atraído por proporções e a "beleza pura" do exterior, Øino. Se quer gastar mais tempo falando sobre conforto, qualidade de vida a bordo, e detalhes práticos, Winch. Se planeja passar dias no convés e quer que cada parede, cada abertura capture luz e vista, De Basto.

Qual é o iate mais famoso de cada um? Øino tem vários projetos de mega-iates para clientes privados (nomes raramente divulgados). Winch trabalhou em yachts icônicos em várias décadas (novamente, confidencialidade). De Basto é talvez menos publicado internacionalmente, mas seus clientes frequentes o procuram especificamente por reputação em boca-a-boca.

Estes designers também trabalham em iates de vela? Sim, embora seja menos comum. A arquitetura de um veleiro é mais restrita (o mastro, o sistema de velas ocupam espaço crítico). Mas Øino, em particular, tem uma forte presença em projetos de vela de grande porte.


Os nomes por trás das linhas trabalham longe dos holofotes. Mas quando você está dentro de um iate perfeito, movendo-se graciosamente sobre o Mediterrâneo, com cada espaço resolvido e cada detalhe fazendo sentido, você está dentro de uma obra de arte pensada. Esses designers são artesãos de um meio raramente compreendido—e é exatamente a discrição deles que os torna grandes.

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